Ruínas do Prazo

Freixo de Numão – Vila Nova de Foz Côa

Freixo de Numão

Ainda o céu estava escuro, carregado de nuvens cinzentas acompanhadas de chuva, ameaçando estragar o dia e eu estava pronta para ir até terras transmontanas para mais uma caminhada repleta de paisagens magníficas, de perder a vista e o fôlego! Infelizmente mais conhecido por “Machu Picchu Português”, do que pelo seu próprio nome… desta vez fui conhecer as Ruínas do Prazo, que é este o seu nome e assim deverá ser conhecido e chamado!

Ruínas do Prazo

Em 2001, a UNESCO classificou o Alto Douro Vinhateiro como Património Mundial, Região Demarcada do Douro, é a mais antiga região vitícola regulamentada do mundo! E como todos nós sabemos, aqui se produz o mundialmente conhecido e apreciado, Vinho do Porto!

As paisagens do Douro Vinhateiro são únicas e imponentes! A Mãe Natureza não é a única responsável por tamanha beleza, aqui o trabalho árduo ao longo dos anos permitiu a plantação das vinhas que percorrem os incríveis socalcos esculpidos pelo ser humano e que aos nossos olhos são incríveis obras de arte de uma relação intrínseca e harmoniosa entre a Natureza e o Homem!

Freixo de Numão

Esta Região Demarcada é repartida por 13 concelhos e a freguesia de Freixo de Numão pertence a um deles, Vila Nova de Foz Côa! E aqui foi o ponto de partida para mais uma aventura com a AnimaSports!

A AnimaSports é uma empresa de Organização de Eventos, Desporto e Aventura, criada e gerida por dois professores de Educação Física direcionada para o Desporto de Aventura, Recreação e Lazer; organização de eventos e viagens! Está localizada em Lousada, no distrito do Porto. As suas actividades foram reconhecidas como Turismo da Natureza, autenticadas pelo Instituto de Conservação da Natureza e da Biodiversidade!

Freixo de Numão é uma pacata freguesia, onde em pleno Domingo de manhã eram mais os cães a passear nas ruas do que pessoas, no entanto, dóceis e “bem alimentados”! Este cantinho transmontado demonstrou ser uma autêntica galeria com obras de arte milenares ao ar livre! Existem vestígios arqueológicos da Idade do Cobre; Idade do Bronze; Idade do Ferro; ocupação romana… ou seja, existem vestígios com mais de 2000 anos antes de Cristo!!

Percorremos alguns minutos pela freguesia e logo deixamos para trás a civilização e fomos ao encontro da natureza e das ruínas com séculos de história! Numa primeira placa bem consumida pela ferrugem e a dizer “Banco do Rei” encontramos um banco de pedra todo ele forrado pelo verde da natureza!

Um pouco mais à frente, por caminhos de terra batida, vinhas, oliveiras, papoilas vermelhas e flores amarelas do campo entre muitas outras, chegamos às primeiras ruínas, Zimbro II, uma “Villa rústica” romana do século III d.C.

Sítio Arqueológico Zimbro II

O próximo destino foi a Estação Arqueológica do Rumansil I que é, segundo o seu investigador, mais uma “Villa rústica” ou “complexo industrial” do século III.

Estação Arqueológica Rumansil I

Todo o percurso foi feito num enquadramento rural e isolado, sendo a sua localização de grande beleza acompanhada constantemente por plantações de vinhas, oliveiras, amendoeiras, zimbros e uma variada paleta de cores da Primavera!

Já depois de uma bem merecida paragem para almoçar, o auge de todo este dia estava a chegar! E se até agora estávamos encantados com toda a paisagem, história e caminhos percorridos deste Douro Vinhateiro, o melhor ainda estava para vir!

Mais uns quilómetros nas botas, e paramos na Capelinha de São João do Prazo, que fica situada dentro do Parque de Património e Lazer do Prazo. A pequena capela ao que parece é uma construção recente no local onde foi encontrada uma rocha com a inscrição “IOANNIS”, onde outrora existiu a Capela de São João ou Santa Ana. Infelizmente a capela está inacabada…

Estação Arqueológica do Prazo

Bem ali ao lado ficam as Ruínas do Prazo, que é mais um exemplo de uma Vila Romana, o maior e mais bem conservado, com vestígios pré históricos dos períodos: paleolítico; mesolítico e neolítico. Uma autêntica viagem ao passado!

Ruinas Arqueológicas do Prazo

Estava na hora de voltar à civilização e mais uma vez percorrer as suas ruas e apreciar toda a beleza desta pacata freguesia, sem esquecer o monumental edifício, o (Solar) Museu da Casa Grande, que alberga as colecções de arqueologia, de etnografia regional e de história local.

Museu da Casa Grande

Aqui também encontramos várias construções que merecem ser apreciadas, como: Igreja Matriz de São Pedro; Pelourinho; Capela de Nossa Senhora da Conceição; Capela Roqueira de Santa Bárbara; Paços do Concelho e Cadeia de Freixo de Numão!

Freixo de Numão

O passeio ainda não estava terminado e o último sítio a ser visitado foi para mim, sem dúvida, a “cereja no topo do bolo”… O trajecto foi feito de carro, mas também pode ser feito a pé. O local estava deserto, chovia (pouco), o sol espreitava entre as nuvens gigantes, a paisagem era de perder a vista de tão longe que se via o horizonte, os relâmpagos marcavam presença no céu infinito e um arco íris apareceu para nos deslumbrar!

Castelo Velho de Freixo de Numão

Estou a falar do Castelo Velho de Freixo de Numão, onde o cenário é rei, com todos estes elementos da natureza ao mesmo tempo, tornando o momento indescritível e inesquecível! O Castelo Velho é mais um sítio arqueológico, da era do Calcolítico, ou seja, situado cronologicamente entre o Neolítico e a Idade do Bronze, cerca de 3300 a 1200 anos antes de Cristo.

Castelo Velho de Freixo de Numão

Infelizmente, todos os sítios arqueológicos percorridos demonstram claros sinais de abandono, estando o Castelo Velho em melhores condições e mesmo assim o edifício que lá se encontra, certamente já funcionou como um posto de turismo e tem um magnífico miradouro, mas estão fechados e apesar de terem boas estruturas, o esquecimento e o desamparo de todos estes locais estão bem presentes…

De volta a casa, fisicamente cansada, mas de coração cheio, a viagem tanto na ida como no regresso merece também destaque pelas paisagens com que Trás os Montes nos brinda, principalmente pelo percurso que fazemos pela N222 onde temos o rio Douro como companhia! Mais uma vez a AnimaSports surpreende pelas escolhas dos trilhos percorridos e por nos fazer sentir, a todos, parte de uma grande família! Por isso se está na dúvida, se deve ou não aventurar-se nestas caminhadas, é só espreitar no site, escolher a data e o trekking que mais lhe desperta curiosidade, e “IR” é o mais importante, seja só ou acompanhada(o), vai certamente gostar da experiência e ser muito bem recebida(o)!

MUITO IMPORTANTE:

Algumas dicas que apesar de serem simples, são essenciais! O nosso respeito pela Natureza!

  • Na Natureza nada se tira, além de fotos!
  • Na Natureza nada se deixa, além de pegadas!
  • Na Natureza nada se leva, além de memórias!

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Até já! 😉

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